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12/02/2010
por Anderson Cavalcante

O presidente pede demissão

Em artigo, Anderson Cavalcante fala sobre a estranha sensação de insatisfação dos cargos de gerência

Você está contente com sua carreira? A Korn/Ferry, consultoria multinacional de recursos humanos, realizou uma pesquisa com 365 empresas da América Latina, sendo 157 no Brasil, em 2009, e descobriu que 69% dos executivos-chefes gostariam de mudar o ramo de negócios em que trabalham. Em outras palavras, isso significa que mais de dois terços dos empresários entrevistados não estão satisfeitos nos atuais empregos. Agora, a que se deve essa insatisfação? O que leva uma pessoa a desistir da trajetória após dedicar tanto tempo de sua vida em um objetivo profissional?

É provável que a melhor resposta para essas perguntas esteja nos dados apurados em outro estudo – o mesmo que nos leva a concluir que, quanto maior o cargo, maiores as dificuldades para conduzir a administração da sua vida. Essa pesquisa, realizada por economistas e psicólogos da universidade britânica Warwick, também em 2009, mostra que a promoção no trabalho aumenta o estresse em 10%, ou seja, aquele executivo que não está satisfeito com o seu cargo, por pressão da globalização ou por falta de suporte qualificado, tende a aumentar o nível de estresse mental ao ser promovido.

Que a vida é feita de escolhas, todos sabemos, mas que muitas delas podem nos distanciar de nossos objetivos pode não ser uma informação tão conhecida assim. Dedicar tempo demais para a empresa, o trabalho e a carreira pode otimizar suas metas financeira e profissional. Entretanto, como ficam os sonhos e os anseios particulares? O quanto você caminha a cada dia na direção da sua autorealização? Você aproveita o tempo quando está com sua família, ou se torna um invisível, por ficar pensando na reunião do dia seguinte ou na quantidade de e-mails que terá que responder?

A frustração e angústia que esses presidentes sentem podem estar diretamente relacionadas ao fato de não estarem caminhando rumo a sua autorealização. Esses executivos perceberam que, com anos de esforço e dedicação, conseguiram chegar no posto mais alto da companhia, mas lá em cima, muito provavelmente, deram-se conta que tudo isso é só isso! Pelo menos os presidentes, administradores ou CEOs que participaram dos estudos acima. Trabalhar sem ter tempo para os amigos, para os filhos, a família, para o amor, para comemorar as conquistas ou para si mesmo, pode não ser o propósito de todos.

Conheço muitos profissionais que tiveram oportunidade de assumir cargos excelentes, mas que os recusaram. Embora fossem ter novos desafios e ganhar muito dinheiro, eles sabiam que tal recompensa teria um custo muito alto a ser pago: diminuir o vínculo com as pessoas amadas, pois isso faria com que tivessem menos tempo para dedicar aos entes queridos ou a si mesmos. Essas pessoas descobriram que as pequenas coisas da vida são as melhores e, no geral, não têm preço, literalmente. Elas perceberam que não estão aqui por acaso e constataram que algo maior pode ser feito quando vivem sua própria essência. Ao fazermos essa Análise, podemos compreender porque não é à toa que muitos CEOs gostariam de trocar de profissão.

Concluísse, então, que os problemas vão além dos dados publicados nas pesquisas. Por muitas vezes, não escutamos o nosso ser e nos deixamos levar pelas metas e objetivos dos outros, de outras empresas, de qualquer um, menos de nós mesmos. Ser presidente, diretor ou gerente, ter casa, carro, dinheiro – aliás, ter tudo isso junto, pois para muitos, só assim é possível ter “qualidade de vida” - não precisa estar diretamente relacionado a não ter mais um momento para dedicar a você, a sua saúde e a sua existência.

O ideal é saber ouvir o administrador da sua vida, ou seja, você mesmo. Descobrir aquilo que realmente te dá prazer e transformar tudo isso em realização, ao mesmo tempo em que trilha o outro caminho rumo à liderança, ao empreendedorismo e objetivos profissionais afins. Caso contrário, quando você chegar lá, pode querer pedir demissão.

*Anderson Cavalcante é administrador de empresas com ênfase em Marketing e MBC pela University of Florida e autor dos best-sellers “O que realmente importa?”; “As coisas boas da vida”, lançado também na Europa, entre outras obras produzidas pela Editora Gente

LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.

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